Ciência. Comunidade. Conservação.

A Expedição Científica Madeira Ocean 2026 marca o início de um percurso de longo prazo para reforçar a conservação marinha em todo o Arquipélago da Madeira.

Mas esta expedição é muito mais do que uma missão científica.

Assenta em décadas de liderança regional na investigação e conservação marinhas, contribuindo para a visão da Madeira de uma rede de Áreas Marinhas Protegidas resiliente e eficazmente gerida, com base na ciência e alinhada com as melhores práticas internacionais. Ao combinar investigação de ponta e metodologias inovadoras, colaboração e envolvimento das comunidades, a expedição contribuirá para garantir que as decisões de conservação continuem fundamentadas em evidência científica sólida.

Ao longo de um mês, a expedição será uma plataforma aberta à colaboração entre instituições de investigação, autoridades governamentais, comunidades locais e sociedade civil. A par do programa científico, promoverá a literacia do oceano através de atividades educativas, transmissões em direto a partir do navio de investigação Santa Maria Manuela, iniciativas com as comunidades e conteúdos digitais, aproximando das pessoas a ciência que sustenta a conservação marinha.

A Expedição Científica Madeira Ocean 2026 é a primeira de duas expedições complementares integradas no Programa Madeira Ocean. Em conjunto, irão criar a base de conhecimento necessária para avaliar, reforçar e expandir a rede de Áreas Marinhas Protegidas da Madeira, contribuindo para a conservação a longo prazo de uma das regiões marinhas mais notáveis do Atlântico Norte.

Os trabalhos científicos começam em setembro com a campanha científica ao Monte submarino Seine, realizada no âmbito do projeto europeu Horizon Europe SEAMPHONI, do MARE-Madeira/ARDITI.

Esta missão tem como objetivo avaliar os valores naturais deste habitat prioritário, localizado a nordeste do Porto Santo, ao instalar equipamentos de monitorização audiovisuais e de DNA que serão recolhidos posteriormente ao final de um ano.

METODOLOGIAS DA EXPEDIÇÃO

Como os cientistas estudam o oceano

Avaliação científica da zona intertidal (faixa da costa que fica descoberta durante a maré baixa e submersa durante a maré alta). Consiste na observação e registo da biodiversidade intertidal, bem como na quantificação da presença de lixo marinho. Estão também a ser descarregados dados de temperatura dos EnvLoggers instalados ao longo da costa rochosa.

Foco: Espécies intertidais, como lapas, caranguejos, mexilhões, estrelas-do-mar, anémonas e outras espécies presentes nas poças de maré.

A água do mar é filtrada ao longo de transectos costeiros para captar vestígios de ADN libertados por organismos marinhos. Esta técnica permite a deteção de espécies que podem não ser facilmente detetadas através de outros métodos.

Foco: Peixes ósseos e cartilaginosos.

Estações de investigação marinha na zona intermédia da coluna de água que utilizam sistemas de câmaras flutuantes com isco para registar e monitorizar espécies pelágicas em mar aberto.

Foco: Peixes pelágicos de interesse comercial, tubarões, grandes mamíferos marinhos (baleias e golfinhos), tartarugas marinhas.

Mergulho científico para realização de censos visuais da biodiversidade marinha. Estes dados permitirão estimar a abundância, a biodiversidade e a biomassa.

Foco: Fauna e flora marinhas da Madeira, em profundidades aproximadas de 20–30 metros.

Bentónicas – instaladas no fundo do mar, são estações de câmaras fixas que utilizam isco para atrair organismos marinhos, permitindo aos investigadores observar e registar a vida marinha no fundo do mar.

Foco: Peixes demersais, tubarões e raias, e invertebrados bentónicos móveis com comportamento necrófago, como caranguejos e lagostas.

Robôs subaquáticos equipados com câmaras, sonar e sensores ambientais para mapear e explorar habitats a profundidades que ultrapassam os limites do mergulho:

  • ROVs são operados remotamente em tempo real e registam imagens e vídeo do fundo marinho.
  • AUVs operam de forma autónoma em missões pré-programadas.
  • USVs são embarcações robóticas de superfície.

Tanto os AUVs como os USVs estão equipados com sensores que permitem medir parâmetros físico-químicos do oceano e cartografar o fundo marinho.

Foco: Cartografia do fundo marinho e biodiversidade bentónica a profundidades de cerca de 30–200 metros (por exemplo, corais de águas frias e esponjas).

Câmara acoplada à embarcação que permite analisar ecossistemas de profundidade através da recolha de imagens e vídeo.

Foco: Biodiversidade bentónica entre 200 e 500–600 metros de profundidade.

Os mergulhadores científicos recolhem macroalgas e invertebrados bentónicos representativos, recorrendo a técnicas de raspagem e amostragem por quadrados, para uma identificação detalhada das espécies.

Foco: Fauna e flora marinhas da Madeira, em profundidades aproximadas de 20–30 metros.

Observações realizadas com binóculos e recurso a hidrofones — microfones subaquáticos especializados que permitem ouvir, gravar e localizar cetáceos.

Foco: Aves marinhas, mamíferos marinhos e tartarugas marinhas.

Recolha de amostras para análise de microplásticos, plásticos e contaminantes (metais pesados, entre outros) em laboratórios especializados. Inclui ainda a observação de lixo marinho e de artes de pesca perdidas.

Foco: Pressões de origem humana sobre o meio marinho.

PLATAFORMAS PRINCIPAIS

SANTA MARIA MANUELA

OBSERVATÓRIO I

CATAMARÃ FEEL GOOD I

EMBARCAÇÃO DE PESCA PONTA CALHAU

MONACHUS

RESTINGA

Portos da Madeira
Santa Maria Manuela
Marinha
Escola Azul
ARNET - Aquatic Research Network
CCMAR – Universidade do Algarve
CE3C – Faculdade de Ciências Universidade de Lisboa
CIBIO - Universidade dos Açores | CIBIO - Universidade do Porto
CIIMAR - Universidade do Porto
Estação de Biologia Marinha do Funchal
Instituto Hidrográfico
IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera
MARE - centro de ciências do mar e do ambiente
ISPA (Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida)
MARE - Madeira
ULO (Universidade de Leiria e Oeste)
Marine Global Earth Observatory (MarineGEO)
Museu da Baleia da Madeira
Museu de História Natural do Funchal
OOM - Observatório Oceânico da Madeira
Okeanos - Universidade dos Açores
Plymouth Marine Laboratory
SPEA-Madeira
SPYGEN
Universidade de Aveiro
Universidade da Madeira
Universidade de Évora
University of California Santa Barbara

University of Western Australia

  • Hotel Vila Baleira
  • Marina da Quinta do Lorde
  • Marina da Calheta
  • Madeira Sea Emotions
  • Gabinete da Administração Pública Regional no Porto Santo (GAPS)

SOBRE O PROGRAMA MADEIRA OCEAN

O Programa Madeira Ocean é uma parceria de longo prazo dedicada a reforçar e expandir a rede de Áreas Marinhas Protegidas da Região Autónoma da Madeira, através de uma conservação com base na ciência, de uma gestão eficaz e de uma ampla colaboração.

A exploração científica é uma das iniciativas emblemáticas do programa «Madeira Ocean», que terá início com a Expedição Científica de 2026 e prosseguirá com uma série de expedições científicas em 2027. Em conjunto, estes esforços proporcionarão as provas científicas necessárias para orientar futuras decisões em matéria de conservação e reforçar a liderança da Madeira na proteção marinha.

Expedição 2027
Ilhas Selvagens e mar profundo

Esta expedição centrar-se-á nas Ilhas Selvagens e nos ecossistemas oceânicos e de mar profundo da Madeira. Recorrendo à melhor tecnologia disponível para a exploração do mar profundo, a expedição procurará colmatar lacunas de conhecimento relacionadas com a biodiversidade, os Ecossistemas Marinhos Vulneráveis (EMV), a conectividade ecológica, os processos oceanográficos e o planeamento da conservação marinha em grande escala na Madeira. Irá também concluir os levantamentos do recenseamento visual subaquático (UVC) nas Ilhas Desertas, que não puderam ser realizados em 2026, para evitar perturbar a foca-monge-do-Mediterrâneo durante a sua época de reprodução. Poderão ainda ser realizadas atividades científicas adicionais para complementar os conhecimentos existentes e colmatar as lacunas de informação remanescentes.